segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Retomada

Retomo hoje, mais uma vez, o trabalho neste blog.
Este ano foi muito intenso, já que me dividi entre a finalização do mestrado e as atividades como professor de história, filosofia e sociologia, pai, marido...
A experiência do mestrado na USP foi enriquecedora, como um grande acontecimento que muda o sujeito pelas experiências, conhecimentos e obstáculos vivenciados. Muitas vezes me senti como um hobbit entre elfos, imaginando como eu, um ex-aluno de escola pública, estava cercado de pessoas notáveis.
Mas tudo valeu a pena. Aprendi muito, e, agradeço aos que estiveram comigo nessa caminhada.
Fui lá e estou aqui de volta outra vez. Fiquei algum tempo sem postar nada, por conta das muitas atribuições (e atribulações), mas não fiquei parado. Produzi muito nas escolas que trabalho: Semana de História, Oficina de HQ, atividades nas semanas de matemática e de literatura, Mostra Cultural, além das atividades rotineiras.

Farei postagens com os apanhados das atividades realizadas até este fim de ano e com propostas para o ano que vem, pois pretendo me dedicar com prioridade à relação entre as mídias pop e a educação.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Star Wars Run





















Este ano, pela primeira vez, o Brasil vai contar com um evento muito especial para os fans de Star Wars: a Star Wars Run!!!
Trata-se de uma prova de pedestrianismo, noturna e temática.

Serão 6 km de prova, no entorno do Memorial da América Latina, m São Paulo.  (Arena Star Wars – Rua Tagipuru, 377). 

O evento, que ocorre na madrugada entre os dias 3 e 4 de maio, te como principal objetivo iniciar as comemorações do Dia Mundial Star Wars “May the 4th Be with You” no Brasil. (É isso existe!!!!)






Link para inscrições e maiores informações:

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Uma crônica

                                A mentira perfeita

Atrocidades são cometidas todos os dias, por ou com pessoas comuns, mas esse caso era especial, alguém “importante” havia sido esfaqueado diversas vezes, esse alguém era o prefeito de nossa tão bela e amada cidade, prefeito o qual era adorado por muitos exceto por quem o matou óbviamente , é possível notar pela violência dos golpes e o descuido impressionante que o assassino teve, parecia ser um caso simples, principalmente para um alguém como eu, que um dia já foi um grande e temido assassino até ser pego e forçado a trabalhar como consultor da polícia, parecia.O caso facilmente seria solucionado em algumas horas somente com a coleta de DNA e digitais as quais foram espalhadas pelo corpo mutilado do prefeito.

Uma coisa é achar o suspeito, interrogá-lo até fazer com que ele revelasse seus segredos mais sujos, todavia não era um caso simples como já que sua repercussão seria imensa, para falar a verdade já estava sendo, a mídia tem uma capacidade enorme de farejar tragédias e inventar coisas sem trabalhar juntamente com a polícia.Acharam o assassino rapidamente, foi simples como eu disse, porém a minha presença mudava tudo, um drogado o qual passava pelo mesmo beco cujo estava o prefeito supostamente o atacou violentamente e levou alguns trocados, todavia essa história era muito escandalosa, poderia levantar diversas questões sobre a segurança da cidade e isso prejudicara o partido do qual o prefeito fazia parte, a minha ajuda era necessária para alterar um pouco os fatos e botar a culpa em outra pessoa, uma pessoa próxima ao prefeito, isso seria muito mais confortante para os jornais porque seria uma boa história e confortaria a população já que o segurança do prefeito o qual estava de folga no dia cuidando da família seria culpado, era um bom suspeito agradaria a todos, com a justificativa de que ninguém pode te proteger das pessoas mais próximas a você.

Me entrevistaram após as notícias serem espalhadas, chamavam aquele pobre senhor de monstro,  concordava sem hesitar, me parabenizavam por mais um caso solucionado, comemorava juntamente a eles.Porém ao chegar em minha casa fui tirar alguns trocados do bolso e caíram algumas evidências como digitais e amostras DNA as quais comprovavam que o assassino era o drogado, pensei por um instante, olhei meu reflexo no espelho, sorri e lembrei que no fim das contas eu sempre fui o monstro e nunca gostei muito do prefeito.

Bruno Cantino

Gian Carlo Fortmuller

segunda-feira, 31 de março de 2014

Tempos Modernos: análise do filme

Tudo, ou pelo menos 95% das coisas que vemos é um produto industrializado. Moveis, materiais de trabalho, roupas e utensílios domésticos, tudo é produzido em uma fábrica, coisa tão comum pra nós que nem notamos.

Antigamente, e se for parar pra pensar nem faz tanto tempo assim, industrias não eram comuns, o processo de produção manufatureiro foi substituído pelos fabricas na revolução industrial que é o cenário do filme ‘’ Tempos Modernos’’.

O filme conta a história da vida de um trabalhador alienado, que só sabia apertar parafusos, tanto que ele ficou obcecado por isso e acabou indo parar no hospício por essa obsessão, e a culpa é toda dos parafusos, se você está lendo isso e é um parafuso então você certamente deveria se envergonhar sr.Parafuso.

Com revolução industrial as fabricas empregaram muitas pessoas, mas toda vez que uma dessas fechava milhares ficavam desempregados. Esse desemprego deixou famílias famintas e levou pessoas honestas a fazer coisas não tão honestas assim, como no filme onde o ex-colega de trabalho do Chaplin rouba uma loja de departamento.

Mesmo aqueles com emprego não viviam lá muito bem, a jornada de trabalho era grande, cansativa e pouco recompensadora para as massas exploradas. Os donos das fabricas é que viviam bem e as diferenças entre as classes burguesa e trabalhadora são claramente visíveis e acentuadas.

Se os direitos trabalhistas só surgiram no século XX dá pra imaginar as condições de trabalho no século XVIII certo? Desde aquela época protestos eram feitos (e reprimidos) como uma tentativa de mudar a situação.


Mas a genialidade humana não tem limites e as descobertas e criações no ramo tecnológico vem melhorando a qualidade e facilitando a vida dos trabalhadores, já que o trabalho mecanizado exige menos esforço.




 TEXTO: Graziela Ferreira

quinta-feira, 27 de março de 2014

Mitos Modernos: Atividade

Falamos este bimestre sobre a passagem do mito para o logos, quando os gregos deixaram aos poucos as explicações de mundo mitológicas e passaram a buscar entender a realidade por meio do uso da razão.
Para finalizar pedimos que os alunos produzissem um trabalho analisando "mitos modernos", explicações não racionais que temos ainda hoje.
Abaixo o resultado do trabalho da aluna Laura Amorim, em mais um de seus ótimos vídeos:

Chesterton - A Filosofia para a Sala-de-Aula

G.K. Chesterton
Publicado originalmente no Daily News, 22 de junho de 1907
Tradução de Gabriele Greggersen
Retirado do site: 
Hottopos.com


O que o homem moderno precisa compreender é simplesmente que toda a argumentação começa com uma afirmação ponto-de-partida; isto é, com algo de que não se duvida. Pode-se, é claro, duvidar da afirmação base, mas, nesse caso, já estaria dando início a outra argumentação diferente, propondo que se parta de outra suposição. Todo argumento inicia por um dogma infalível, e esse dogma absoluto, por sua vez, só pode ser discutido, se recorrermos a outro dogma infalível: nunca se pode provar o primeiro ponto-de-partida (senão não seria ponto-de-partida).

Este é o be-a-bá do raciocínio lógico. E tem esta vantagem especial de que pode ser ensinado na escola, como qualquer outro be-a-bá. Não dar início a qualquer discussão sem antes declarar abertamente os postulados de cada um, é uma regra a ser ensinada tanto na filosofia, quanto na matemática de Euclides, ou em qualquer aula comum, usando giz e lousa. E penso que esse princípio poderia ser ensinado de forma simples e racional até mesmo ao jovem, antes de aventurar-se pelo mundo, à mercê da "lógica" e da filosofia imposta pela mídia.


Muitas das desorientações e dúvidas no campo religioso, surgem pelo fato de os céticos de hoje começarem sempre, falando sobre tudo aquilo em que eles não acreditam. Mas, mesmo de um cético, o que queremos saber primeiro é em que ele realmente acredita. Antes de começar a discutir, é preciso saber o que é que não se discute. Essa confusão aumenta infinitamente pelo fato de que todos os céticos de nosso tempo são céticos em diferentes graus dessa dissolução que é o ceticismo.

Agora, nós temos (espero), uma vantagem sobre todos esses novos filósofos sabidos: mantemo-nos em sã consciência. Acreditamos que existe, de fato, a catedral de São Paulo; e grande parte de nós acredita em São Paulo. É preciso deixar bem claro que acreditamos em muitas coisas que, embora façam parte de nossa existência, não podem ser demonstradas. Nem é preciso meter religião na história. Diria até que todos os homens de bom senso, acreditam firme e invariavelmente em umas quantas coisas que não foram provadas e que nem sequer podem ser provadas.

De forma resumida, são elas:

(1) todo ser humano em sã consciência acredita que o mundo e as pessoas ao redor dele são reais e não um produto da sua imaginação ou de um sonho. Ninguém começa a incendiar Londres, se está convencido de que seu criado logo o acordará para o café da manhã. Mas não temos provas, em nenhum momento, de que tudo não passa de um sonho. Que algo exista além de mim é uma afirmação que não está comprovada (nem se pode comprovar...).

(2) Todo homem em sã consciência, acredita não somente que este mundo existe, mas também que ele tem importância. Todo homem acredita que há, em nós, um tipo de obrigação de nos interessarmos por esta visão da vida. Não concordaria com alguém que dissesse, "Eu não escolhi esta farsa e ela me aborrece. Fiquei sabendo que uma senhora idosa está sendo assassinada no andar de baixo, mas eu vou é dormir ". O fato de que há um dever de melhorar coisas não feitas por nós é algo que não foi provado e não se pode provar.

(3) Todos os homens em sã consciência acreditam que existe uma certa coisa chamada euself ou ego e que é contínua. Não há nenhum centímetro de meu cérebro igual ao que era há dez anos atrás. Mas se eu salvei a vida de um homem numa batalha há dez anos atrás, fico orgulhoso; se me acovardei, sinto-me envergonhado. A existência desse "eu" axial nunca foi comprovada e não pode ser comprovada. Trata-se de uma questão mais do que "improvável" e que é muito debatida entre os metafísicos.

(4) Finalmente, a maioria dos homens em sã consciência acredita, e todos o admitem na prática, que têm um poder de escolha e responsabilidade por suas ações.

Seguramente é possível elaborar algumas afirmações simples como as acima, para que as pessoas possam saber a que se ater. E se os jovens do futuro não vão ter formação em religião, pode-se-lhes ensinar, pelo menos, de forma clara e firme, um pouco de bom senso, três ou quatro certezas do pensamento humano livre.


1. "- Lógica, disse o professor para si mesmo. – Por que não ensinam mais lógica nas escolas" (C.S. Lewis, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. São Paulo: Martins Fontes, 1997,p. 50) e, no final da história, o professor comenta novamente, agora em alto e bom tom:
" - Céus! O que é que estão ensinando às crianças na escola?" (Idem, p. 180).




FONTE: http://sociedadechestertonbrasil.org



quarta-feira, 26 de março de 2014

Ler o Mundo


O aluno deve ser educado de maneira que esteja capaz de ler sua realidade, perceber e compreender as diferentes fontes de informação do seu entorno, tratar de criticá-las e poder transmitir seu pensamento de modo que se faça compreender precisamente.

Como ensinou Paulo Freire: “Educar é construir, é libertar o homem do determinismo, passando a reconhecer o papel da História”.

Para isso deve-se incentivar os alunos na resolução de problemas, especialmente aqueles mais próximos de sua realidade.

Antigamente a escola era a principal fonte de informações. Hoje já não é assim. Não interessa um aluno conteudista, mas sim aquele que sabe trabalhar com as informações que são facilmente adquiridas das mais diferentes formas.


Diante disso as competências de maior relevância para o desenvolvimento do aluno são a leitora e a escritora. Isso porque no seu cotidiano o aluno irá “ler” a realidade que o cerca, através dos diferentes meio e mídias e “escrever” ou transpor o seu entendimento através de palavras faladas ou escritas.

Diante disso é importante que o docente tenha em mente a relevância dessas competências, e que elas se apresentam em todas as disciplinas e não somente na disciplina de Língua Portuguesa, sendo imprescindível o desenvolvimento da interdisciplinaridade, realizando atividades leituras, interpretativas, de produção de texto, procurando oferecer diferentes formas de leitura de mundo e de expressão de entendimento possíveis.


Ao desenvolver essas competências o professor deve preocupar-se em fazê-lo com textos, instrumentos e conteúdos que sejam próximos da realidade dos alunos, façam parte do seu mundo, que lhes sejam úteis no dia-a-dia.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Heróis:A mitologia da atualidade

Heróis:A mitologia da atualidade

Para começar temos que pensar em que visão usaremos nesse texto,para deixar isso bem claro tenho que começar com uma pergunta,o que são mitos?
Mitos são histórias que visam explicar acontecimentos cotidianos,assim como uma onda gigante era atribuída ao deus dos mares da Grécia Antiga,Poseidon ,ou uma tempestade a Zeus e assim por diante.


Pelo título você com certeza já percebeu o tema o qual abordarei nas próximas palavras escritas por mim.Os heróis ou super-heróis sempre foram usados como uma forma de crítica social ou para retratar o que estava acontecendo em determinada época e em determinado lugar.De acordo com a definição de mito que acabei de dar os heróis não parecem ter ligações óbvias com os mitos,mas acalme-se jovem gafanhoto já chego lá.

Desde a criação e popularização dos super-heróis como o Batman,o Super-Homem ou como um melhor exemplo para os meus conceitos o Homem-Aranha,eles sempre serviram como um exemplo para muitos jovens principalmente para aqueles os quais tinham um pai ausente,eles serviam como um modelo masculino de caráter masculino ou feminino para meninas,a ser seguido ou melhor davam um sentimento de esperança para eles,uma esperança de que mesmo na noite mais densa o mal sucumbiria a presença do bem,os quadrinhos mostravam o bem derrotando o mal,mostravam que fazendo o bem era a melhor maneira de fazer as coisas e que nada poderia detê-los se suas intenções fossem boas e que todos poderíamos ser heróis por pelo menos um dia mesmo com pequenas ações poderíamos mudar a vida das pessoas ao nosso redor.Todavia ainda não expliquei sua ligação com os mitos,pelo menos não explicitamente.

Do que são feitos heróis ? Força ? Inteligência ? Resistência ? Não,muitas pessoas zombam heróis sem super poderes,falando que eles não são “super” por isso,eu não concordo com eles,pelo menos nos quadrinhos você pode construir poderes,mas nunca pode-se construir um herói,heróis não são feitos de poderes,são feitos de coragem e honra,você pode dar poderes para um babaca,porém ele continuará sendo um babaca na verdade será um super babaca,todavia não se pode dar coragem para alguém as pessoas devem nascer com isso e é isso o que os quadrinhos têm a nos ensinar,que coragem e honra nos tornam heróis.Caso você ainda não tenha entendido a ligação com os mitos te explico.


Nós criamos os heróis,nós criamos os mitos,os heróis nada mais nada menos do que uma forma de simbolizar os acontecimentos do mundo,em todos os mitos as pessoas querem explicar algo,nos quadrinhos as pessoas querem explicar porque nosso mundo está desabando por isso existem os vilões e no fim todos podemos heróis,uma pessoa que arrisca a sua vida por sua família,uma pessoa que se dedica à ajudar os outros,todos esses são heróis,nós sempre queríamos heróis na vida real,todavia não percebemos sua presença entre nós.

BRUNO CANTINO

quinta-feira, 13 de março de 2014

A GESTÃO DO TEMPO E DA APRENDIZAGEM NO ESPAÇO ESCOLAR.

A GESTÃO DO TEMPO E DA APRENDIZAGEM NO ESPAÇO ESCOLAR.

O professor é o gestor das atividades em sala de aula.

Depois do planejamento das atividades pedagógicas levando em consideração o tempo da aula o docente deve leva-lo à prática.

E isso deve acontecer levando em conta as especificidades de cada turma e de cada aluno em especial.







Isso porque o fim último da atividade docente não é a aplicação pura e simples do “conteúdo”, como pensado das atividades do planejamento, mas sim a formação do aluno.



Para isso o tempo e as atividades devem estar integrados, e não serem um obstáculo ao outro: aplicando as atividades no tempo correto, utilizando-o a favor do aprendizado do aluno, ajudando esse aluno a aproveitar melhor o período da aula.

sábado, 8 de março de 2014

O professor do século XXI



Cada época exige do homem uma resposta aos problemas que a sociedade apresenta. A educação vem nesse sentido formar pessoas aptas a responder adequadamente essas questões.











Na atualidade o professor deve estar atento aos problemas e condições próprias do nosso tempo, que é um período de acesso rápido às informações. As informações são transmitidas com pouca leitura e muita imagem. Os jovens tem acesso a uma série de tecnologias e aparelhos tecnológicos, especialmente referentes à internet, com amplo acesso à informação.













Tudo isso demanda do professor um conhecimento dessas tecnologias e um preparo específico para lidar com a educação, relacionando essas mídias e forma de pensar.










Hoje mais do que conhecedor de conteúdos de sua disciplina o professor deve ser um conhecedor de meios de acesso a informação, um mediador e direcionador dos alunos às informações que  conseguem de formas bem variadas.



quarta-feira, 5 de março de 2014

Casulo

Em uma das aulas os alunos foram instigados a analisar o HQ a seguir refletindo:
  • Quais seriam os casulos nos quais vivemos?
  • O que representaria os óculos, as lentes pelas quais vemos o mundo?


Depois passamos a discutir a importância das Ciências Humanas, especialmente as Ciências Sociais e também a Filosofia, como reveladores da realidade, importante meios para auxiliar na compreensão do mundo em que vivemos.




A seguir uma curiosa continuação da HQ.  Para refletir...

terça-feira, 4 de março de 2014

COMO DIRIA R2-D2, FILOSOFIA É...
H. CALEFFI

Isso mesmo, R2-D2 é aquele robozinho do filme Star Wars que parece uma centrifuga de roupas e faz aqueles barulhinhos estranhos para se comunicar. Gosto muito deste personagem porque ele parece um robozinho insignificante, pequeno, sem braços e rosto, mas é ele que salva os demais personagens na maioria de muitas das situações perigosas em que se metem. Ele é corajoso, enfrenta os desafios com os recursos que tem, fazendo bom uso deles em busca de seu objetivo, domina diferentes conhecimentos e fala de uma forma que poucos entendem. Essas características me fazem lembrar da vida do filósofo.

Aqui não estou falando de “filósofo de carteirinha”, com o diploma de graduação, mas daqueles que veem o mundo de outra maneira, caminham contra a maré e exercem seu amor pela sabedoria. A postura filosófica nos coloca na luta contra o senso comum, aquelas interpretações rápidas sobre os fatos e busca a fundo, com o uso da razão, o que significam as coisas que nos rodeiam, se é que nos rodeiam... Segundo Marilena Chauí, filosofia é “a decisão de não aceitar como óbvias as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido” (CHAUÍ, 2002, p. 12).
Com isso já dá para perceber, uma postura filosófica é diferente de acumulo de conhecimento e para deixar isso mais claro os dróides do Star Wars podem nos ajudar. O nosso robozinho R2-D2 está sempre acompanhado pelo outro robô com quem faz um contra ponto, o C-3PO, grande, bonito, dourado, um ciborgue de relações humanas e que fala mais de 6 milhões de línguas, um poço de conhecimento e, também, é medroso e age de forma passiva, acomodada e de não envolvimento com a situação e os problemas de sua época – sistema imperialista, guerras, violência, ação dos rebeldes por uma sociedade mais justa, entre outras. Bem diferente do R2-D2, que com as características já descritas acima mostra que o ato de filosofar e o de viver são inseparáveis já que “a filosofia incomoda porque questiona o modo de ser das pessoas, das culturas, do mundo. Questiona as práticas políticas, científicas, técnicas, ética, econômica, cultural e artística. Não há área onde ela não se meta, não indague, não perturbe. E nesse sentido a filosofia é perigosa, subversiva, pois vira a ordem estabelecida de cabeça para baixo” (ARANHA e MARTINS, 1992, p. 69).

Atitude filosófica é inconformismo e ação, não se satisfazer com as coisas como estão e tentar agir, criticar, propor, alertar, duvidar e, principalmente, despertar incomodidade dos demais com a situação buscando uma nova realidade, um novo mundo. Ao fazer isso falamos coisas “diferentes”, que muitas vezes causam estranheza nos demais, como “nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”, e temos comportamentos estranhos como ler um livro em um dia de sol enquanto todos vão à praia, assistir um debate ou palestra na TV por opção, estudar por gosto... etc. Afinal, é fácil e conveniente ser lustroso e acomodado como C-3PO e esconder sua covardia atrás de roupas de grife e comportamento da moda. Ter disposição para pensar, gostar de refletir e observar o mundo, as pessoas e a si mesmo hoje em dia é ser diferente e fazer a diferença.


Bibliografia e filmografia consultada e sugerida:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de filosofia. São Paulo, Moderna, 1992.
CHAUÍ, Marielena. Convite à filosofia. 12ªed. São Paulo, Ática, 2002.

Filmes: Star Wars, episódios I, II, III, IV, V e VI.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A sociedade sem leis de The Walking Dead

The Walking Dead é uma série de HQs criada por Robert Kirkman que conta a história do personagem Rick Grimes, um policial que um dia é baleado e depois de muito tempo acorda num hospital infestado por “walkers” que são uma espécie de zumbis (tenho que falar dessa forma para evitar ao máximo de spoilers) e depois de escapar do hospital forma um grupo e é aí que a nossa explicação começa.

O mundo de The Walking Dead é um mundo de completo caos, o governo caiu, ou seja, sem governo sem leis, tudo o que importa é a sua sobrevivência e a do grupo e a parte mais perigosa não são os walkers atacando e matando os sobreviventes mas, sim depender da boa vontade dos próprios humanos. Em um mundo sem leis as pessoas não precisam temer alguma punição por um assassinato, grande parte delas age por impulso ou pior se saqueadores e em parte não podem ser julgados por isso, não me levem a mal não aprovo esse tipo de atitude nem mesmo num mundo como esse, mas temos que lembrar que a sobrevivência é o único objetivo deles, num mundo apocalípitico não existe certo ou errado mas, sim vivo e morto.

Porém, estou falando de pessoas vivendo sozinhas  no apocalipse zumbi, todavia, também temos os grupo e esses casos são os que sofreriam o maior risco, esses dependem de confiar uns nos outros e sempre tomam as decisões mais difíceis, além de terem menos comida e racioná-la é uma dessas decisões.Eles sempre tem de adivinhar se as pessoas vão fazê-las algum mal e o único jeito de saber  é correndo esse risco. Contudo a coisa mais importante percebida em grandes grupos é o surgimento de uma pequena sociedade eles sabem a importância das regras e leis para a nossa sobrevivência e é esse o ponto que queria chegar,sem regras agiríamos por puro impulso e esses grupos os quais estabelecem leis, regras, até mesmo uma hierarquia são os mais fortes, pois desde quando os nossos cérebros evoluíram e a primeira família surgiu as regras comandam esse mundo você gostando delas ou não, podem ser elas a única barreira existente entre uma sociedade e um abismo, pois isso nos torna uma civilização.


Contribuição do aluno BRUNO CANTINO 



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

EM BUSCA DA QUESTÃO FUNDAMENTAL: INTRODUÇÃO À TEORIA POLÍTICA


EM BUSCA DA QUESTÃO FUNDAMENTAL: INTRODUÇÃO À TEORIA POLÍTICA

No livro O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams usa a ficção científica e muita imaginação para fazer uma hilariante crítica à sociedade, assim como toda boa comédia. A parte que mais gosto é o momento em que uma sociedade antiga, em um planeta distante resolve construir um supercomputador para que lhes dê a resposta sobre “a vida, o universo e tudo o mais”. Depois de ficar milhares de anos processando, o supercomputador dá uma resposta que acabou com todas as expectativas: “42”, e explicou que a resposta é está mesma, sem  dúvida alguma, o problema é que eles não sabiam, exatamente, qual era a pergunta, a questão fundamental sobre “a vida, o universo e tudo o mais”. Então começa a busca pela tal Questão Fundamental, que só poderia ser dada por um computador ainda maior que este primeiro.

Trazendo esta estória para nosso contexto, cabe a reflexão: Será que fazemos a pergunta certa para os eventos do nosso dia a dia, sobre a vida, o universo e tudo o mais? Acredito que não e, como no livro, ficamos procurando respostas para tudo fazendo perguntas erradas ou incompletas. O que Douglas Adams nos ensina com esta anedota é que mais importante do que ter respostas é ter boas perguntas.
Vamos pensar nisso usando como exemplo os “rolezinhos” que, nos últimos dias, tem atormentado a vida de lojistas, governo e “intelectuais de facebook”.
“Isso é culpa do funk ostentação”, “a Constituição garante o direito a manifestação”, “os rolezeiros invadiram os shoppings”, “o poder público tem que criar praças para estes jovens”, “a ação da polícia foi um ato de discriminação, preconceito, racismo”, “é função do Estado defender da propriedade privada”, “qual o interesse político nesses rolezinhos?”, “não há outros lugares para estes jovens se reunir?”, estas e muitas outras respostas, perguntas e opiniões circularam na mídia e nas redes sociais sobre este assunto. E ai cabe perguntar: o que significam estas respostas? Será que estamos fazendo as perguntas certas? Não teriam algumas questões anteriores que deveriam ser ventiladas?

Poderíamos assumir o papel do filósofo Sócrates, que causou muito incômodo na Grécia Antiga ao questionar os fundamentos das opiniões dos seus contemporâneos e perguntar: O que é democracia? Será que vivemos em uma democracia? Por que o Estado intervém na defesa da propriedade privada? Qual a diferença entre discriminação, preconceito e racismo? Qual o papel do consumo na conservação do nosso sistema político?

Algumas destas questões são tratadas pela Teoria Política, uma área da Filosofia Prática, que também contempla a Ética. Carlos Nelson Coutinho ajuda a explicar o que é Teoria Política ou Filosofia Política se apoiando em Gramsci (um pensador italiano do início do século XX) em sua distinção entre “grande política” e “pequena política”
“Gramsci, em suas reflexões de teoria política, fez uma importante distinção entre ‘grande política’ (alta política) e ‘pequena política’ (política do dia a dia, política parlamentar, de corredor, de intrigas). Essa distinção, segundo ele, baseia-se no fato de que ‘a grande política compreende as questões ligadas à fundação de novos Estados, à luta pela destruição, pela defesa, pela conservação de determinadas estruturas orgânicas econômico-sociais. A pequena política compreende as questões parciais e cotidianas que se apresentam no interior de uma estrutura já estabelecida em decorrência de lutas pela predominância entre as diversas frações de uma mesma classe política.” (Coutinho, 2011, p. 10).

A Teoria Política trata da “grande política”, de questões que estão fincadas nos fundamentos da política, nas Teorias Sociais. Já a “pequena política” é objeto de estudo da Ciência Política, sendo esta uma área das Ciências Sociais, como a Sociologia e a Antropologia, e que faz parte da fragmentação do saber presente desde o século XIX, que coloca cada fato, fenômeno, pensamento dentro de suas respectivas caixinhas.


Por sua vez, a Teoria Política segue o processo inverso, liga os fenômenos políticos à totalidade social, amplia as questões procurando enxergá-las de forma ampla, aberta, relacionando-as com o todo. Não se prende nas análises de um fato isolado, da conjuntura imediata. As questões políticas do nosso dia a dia, como eleições, queima de ônibus, violência policial, rolezinhos, entre outras, estão relacionadas a algo que vai muito além delas, cabe aos interessados em Teria Político pensar além destes limites.

A Teoria Política pode não nos dar a Questão Fundamental do Guia do mochileiro das galáxias, mas, com certeza, nos ajuda a enxergar melhor a realidade como ela é, de forma crítica, a por em dúvida opiniões apressadas e a formular melhores perguntas sobre a vida, o universo e tudo o mais.
H. CALEFFI



Bibliografia consultada e sugerida:
ADAMS, Douglas. O guia do mochileiro das galáxias. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.
COUTINHO, Carlos Nelson. De Rosseau a Gramsci: ensaios de teoria política. São Paulo: Boitempo, 2011.