terça-feira, 4 de março de 2014

COMO DIRIA R2-D2, FILOSOFIA É...
H. CALEFFI

Isso mesmo, R2-D2 é aquele robozinho do filme Star Wars que parece uma centrifuga de roupas e faz aqueles barulhinhos estranhos para se comunicar. Gosto muito deste personagem porque ele parece um robozinho insignificante, pequeno, sem braços e rosto, mas é ele que salva os demais personagens na maioria de muitas das situações perigosas em que se metem. Ele é corajoso, enfrenta os desafios com os recursos que tem, fazendo bom uso deles em busca de seu objetivo, domina diferentes conhecimentos e fala de uma forma que poucos entendem. Essas características me fazem lembrar da vida do filósofo.

Aqui não estou falando de “filósofo de carteirinha”, com o diploma de graduação, mas daqueles que veem o mundo de outra maneira, caminham contra a maré e exercem seu amor pela sabedoria. A postura filosófica nos coloca na luta contra o senso comum, aquelas interpretações rápidas sobre os fatos e busca a fundo, com o uso da razão, o que significam as coisas que nos rodeiam, se é que nos rodeiam... Segundo Marilena Chauí, filosofia é “a decisão de não aceitar como óbvias as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido” (CHAUÍ, 2002, p. 12).
Com isso já dá para perceber, uma postura filosófica é diferente de acumulo de conhecimento e para deixar isso mais claro os dróides do Star Wars podem nos ajudar. O nosso robozinho R2-D2 está sempre acompanhado pelo outro robô com quem faz um contra ponto, o C-3PO, grande, bonito, dourado, um ciborgue de relações humanas e que fala mais de 6 milhões de línguas, um poço de conhecimento e, também, é medroso e age de forma passiva, acomodada e de não envolvimento com a situação e os problemas de sua época – sistema imperialista, guerras, violência, ação dos rebeldes por uma sociedade mais justa, entre outras. Bem diferente do R2-D2, que com as características já descritas acima mostra que o ato de filosofar e o de viver são inseparáveis já que “a filosofia incomoda porque questiona o modo de ser das pessoas, das culturas, do mundo. Questiona as práticas políticas, científicas, técnicas, ética, econômica, cultural e artística. Não há área onde ela não se meta, não indague, não perturbe. E nesse sentido a filosofia é perigosa, subversiva, pois vira a ordem estabelecida de cabeça para baixo” (ARANHA e MARTINS, 1992, p. 69).

Atitude filosófica é inconformismo e ação, não se satisfazer com as coisas como estão e tentar agir, criticar, propor, alertar, duvidar e, principalmente, despertar incomodidade dos demais com a situação buscando uma nova realidade, um novo mundo. Ao fazer isso falamos coisas “diferentes”, que muitas vezes causam estranheza nos demais, como “nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”, e temos comportamentos estranhos como ler um livro em um dia de sol enquanto todos vão à praia, assistir um debate ou palestra na TV por opção, estudar por gosto... etc. Afinal, é fácil e conveniente ser lustroso e acomodado como C-3PO e esconder sua covardia atrás de roupas de grife e comportamento da moda. Ter disposição para pensar, gostar de refletir e observar o mundo, as pessoas e a si mesmo hoje em dia é ser diferente e fazer a diferença.


Bibliografia e filmografia consultada e sugerida:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de filosofia. São Paulo, Moderna, 1992.
CHAUÍ, Marielena. Convite à filosofia. 12ªed. São Paulo, Ática, 2002.

Filmes: Star Wars, episódios I, II, III, IV, V e VI.

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